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É isso que queremos? 24 - novembro - 2009

Posted by Marcos Reis in Citações, Opinião.
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Reproduzo abaixo a coluna publicada na Zero Hora de segunda (dia 23), escrita por Tanise Dovskin – jornalista e mãe. Uma reflexão pertinente. Grifos meus.

91523479Segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Esquecer de um filho?

Causou comoção a mãe que esqueceu a filha de seis meses dentro do carro em São Paulo na semana passada. A menina não resistiu e morreu depois de ficar cinco horas trancada sob um calor de aproximadamente trinta graus. Como uma mãe pode esquecer um filho em algum lugar? Eu não consigo entender.

Mas antes de julgarmos essa mulher, que com a culpa que vai carregar pelo resto da vida também morreu parcialmente, vamos pensar sobre a loucura que vivemos.

Fazemos de tudo para sermos a melhor mãe, a melhor esposa, uma dona de casa dedicada, uma profissional exemplar. Lutamos tanto pela igualdade de direito com os homens. E agora, é isso que queremos para nós? Mulheres cansadas, esgotadas, às vezes incapazes de estar com seus filhos durante vários dias?

Não acredito que essa mãe seja um monstro nem uma assassina. Os colegas de trabalho contaram que ela sempre foi uma mãe zelosa, preocupada com os filhos.

No dia fatídico, ela trocou a rotina e alegou à polícia que a mudança no itinerário teria causado o esquecimento.

No que será que aquela mulher pensava na hora que estacionou o carro e desceu para trabalhar? Nos prazos que ela tinha para cumprir? Na explicação que teria que dar ao chefe por estar atrasada? Em como conseguir uma promoção para dar uma vida melhor aos filhos? No jantar romântico que prepararia ao marido à noite?

Não podemos querer sermos mil ao mesmo tempo e deixar a vida escapar de nossas mãos. É melhor abdicarmos de alguma coisa para termos o resto mais completo.

Eu sei que nada justifica uma mãe esquecer-se de um filho. Não existe nada mais precioso que nossos filhos. Eu posso estar longe, fazendo mil outras coisas, mas minha cabeça vai estar sempre na minha filha.

Que essa tragédia familiar sirva para que a gente possa refletir e prestar mais atenção em nossos filhos.

Já faço esta reflexão há alguns anos, mas geralmente sou considerado retrógrado e machista. Fico feliz que uma profissional bem sucedida e conceituada esteja também preocupada com as possíveis consequências da loucura que vivemos. Não que seja comum que filhos morram por negligência e que os pais morram parcialmente junto com eles. Mas é comum morrermos parcialmente em função da negligência com a rotina que nos é imposta.

A sociedade se deteriora geração após geração com a falta da educação dada em casa pelos pais. Os pais se deterioram sob um stress com o qual não há como lidar. E poucos se dão conta de que este é um estilo de vida insustentável.

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Comentários»

1. Marcos Reis - 24 - novembro - 2009

A propósito: “Haverá mãe que possa esquecer seu bebê que ainda mama e não ter compaixão do filho que gerou? Embora ela possa esquecê-lo, eu não me esquecerei de você!” Is 49:15

Ufa!

2. Taísa - 30 - dezembro - 2009

E aí Markitus!!

Esse texto edificou o meu dia! Mto bom.


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